Capital de giro: o dinheiro que tapa o buraco entre pagar e receber
Toda empresa tem um intervalo entre o dia em que paga o fornecedor e o dia em que o cliente paga ela. Esse intervalo é o ciclo de caixa, e ele precisa ser financiado por alguém: pelo sócio, pelo fornecedor ou pelo banco. Capital de giro é crédito para financiar esse intervalo. Costuma vir em prazo curto e formato rotativo, com ou sem garantia. Se vem "limpo", sem garantia real, o banco cobra mais caro porque, em caso de calote, não tem para onde correr além do processo judicial, e isso está embutido na taxa. É a linha mais fácil de contratar e a mais fácil de usar errado, porque não força ninguém a explicar para onde o dinheiro foi.
Antecipação de recebíveis: você não pega dinheiro, você adianta o seu
Aqui não entra dinheiro novo na sua estrutura de capital: você troca um recebível de 60 dias por caixa hoje, com desconto. O custo é a taxa de desconto aplicada sobre o prazo restante, e ele existe mesmo quando ninguém chama de juros. Dois detalhes mudam tudo. Primeiro, a coobrigação: em boa parte das operações de desconto de duplicata o contrato prevê coobrigação, ou seja, se o seu cliente não paga, quem paga é você. O risco de crédito do sacado continua no seu colo. Isso não é padrão automático: está escrito no contrato, e é lá que a gente confere. Segundo, o vício: antecipar uma vez para aproveitar um desconto de fornecedor é gestão; antecipar todo mês para fechar a folha significa que a sua margem está financiando o banco, não a empresa.
Home equity: o imóvel entra no jogo e o custo tende a cair por um motivo específico
No crédito com garantia de imóvel, o bem vai para alienação fiduciária: a propriedade fica resolúvel em nome do credor até você quitar. O rito de execução dessa garantia é mais rápido que o judicial e, do ponto de vista do banco, a perda esperada em caso de inadimplência tende a ser menor. É por isso que essa linha costuma vir com spread mais baixo e prazo mais longo do que uma linha sem garantia. Não é regra: o preço e o prazo continuam sendo definidos pelo banco, caso a caso. Você não está sendo premiado por ser bom pagador; está trocando risco por preço. Duas consequências práticas: o processo é lento (avaliação, análise jurídica, cartório, registro), então não serve para emergência; e o imóvel normalmente é da pessoa física do sócio, o que joga o patrimônio da família dentro do risco da operação.
Crédito estruturado: quando a operação é desenhada em vez de escolhida do cardápio
Estruturado não quer dizer sofisticado por esporte. Quer dizer que o fluxo da dívida foi desenhado para caber no fluxo do negócio: carência que respeita a safra ou a obra, prazo que acompanha o retorno do ativo, cessão fiduciária de recebíveis de um contrato específico, garantia real, cláusulas e covenants (obrigações que você se compromete a cumprir, como manter um nível de endividamento, sob pena de vencimento antecipado). O ganho é encaixe. O preço é complexidade: custa mais para montar, demora mais, e o contrato passa a mandar em decisões suas por anos. Faz sentido quando o valor e o prazo justificam o trabalho. Não faz para tapar um mês ruim.