Spread contra a PTAX: onde está o custo que ninguém abre
A PTAX é a taxa de referência divulgada pelo Banco Central, apurada a partir de consultas ao mercado ao longo do dia. Ela não é a taxa que a sua empresa fecha: é o termômetro. A taxa que você fecha vem com um spread: a diferença entre a referência de mercado e o preço que a instituição te oferece. Esse spread é a remuneração de quem opera, e é perfeitamente legítimo. O problema é quando ele nunca é discutido. Comparar a taxa fechada com a referência do mesmo horário transforma uma conversa de "achei boa" em número. É a diferença entre negociar e aceitar. Calcule o spread da sua última operação contra a PTAX do dia →
VET: a única taxa que interessa é a taxa cheia
VET quer dizer Valor Efetivo Total. É o custo da operação inteira (taxa de câmbio, tarifas e tributos) expresso como uma taxa única por unidade de moeda. Serve exatamente para impedir a cena clássica: uma taxa bonita na frente e um IOF, uma tarifa de remessa e um custo de praça atrás. O VET é a forma padronizada de expressar esse custo total. Peça o VET por escrito antes de fechar: é uma informação que raramente aparece sozinha na conversa. Duas cotações só são comparáveis pelo VET. E lembre: a tributação sobre câmbio varia conforme a natureza da operação e muda ao longo do tempo. Vale sempre checar o que está vigente na data, não o que valia ano passado.
ACC e ACE: o que de fato são
ACC é Adiantamento sobre Contrato de Câmbio. O exportador fecha o contrato de câmbio antes do embarque e recebe os reais adiantados, ou seja, você antecipa hoje um dinheiro que só entraria depois, com base num pedido que ainda vai embarcar. ACE é Adiantamento sobre Cambiais Entregues: a mesma lógica, só que depois do embarque, quando os documentos já foram entregues ao banco e você aguarda o pagamento do importador. Os dois são crédito, com custo atrelado a moeda estrangeira, e tendem a funcionar como funding de exportação, não como um capital de giro comum em real. Ao fechar o contrato, você também define a taxa: o pedido deixa de flutuar. É por isso que ACC e ACE são, ao mesmo tempo, ferramenta de caixa e ferramenta de risco.
Travar taxa não é palpite sobre o dólar
Aqui está o mal-entendido mais comum do tema. Quem trava a taxa não está apostando que a moeda vai subir ou cair: está eliminando a moeda da conta. A aposta direcional é o contrário: é ficar exposto sem ter decidido ficar. O ponto de partida é sempre o descasamento: quanto entra e sai em moeda estrangeira, e em que datas. Boa parte dele às vezes se resolve sozinha (receita em dólar contra custo em dólar é hedge natural, e não exige contratar nenhum instrumento). O que sobra pode ser tratado com instrumentos como o termo sem entrega física, o NDF, que liquida só a diferença entre a taxa travada e a referência na data, ou com contratos futuros na bolsa, que são padronizados e têm ajuste diário, ou seja, mexem no seu caixa antes do vencimento. Cada um tem uma consequência de caixa e de contabilidade diferente. Qual faz sentido depende da sua operação, do prazo e do tamanho, não de uma opinião sobre o câmbio.