O que o inventário realmente custa
Inventário é o processo formal de levantar o que a pessoa deixou, pagar o que ela devia, recolher o imposto e transferir o restante para os herdeiros. Enquanto ele não termina, os bens existem mas, na prática, quase não se mexem: em regra não se vende imóvel, não se movimenta conta nem se decide na empresa com segurança sem autorização. Há exceções, mas cada uma depende de pedido específico e de quem conduz o processo, ou seja, deixa de depender só da família. Quando os herdeiros são maiores, capazes, estão de acordo e não há testamento, a via extrajudicial (por escritura em cartório) costuma estar disponível, e o caminho tende a ser mais curto. As condições exatas do seu caso quem confirma é o advogado. Quando há menor, incapaz, briga ou dúvida sobre o que é de quem, vai para a Justiça, e aí o prazo deixa de depender da família. O custo maior raramente é o honorário: é o tempo em que o patrimônio fica congelado e a relação entre irmãos azeda.
ITCMD: o imposto que decide o seu calendário
O ITCMD é o imposto estadual que incide sobre herança e sobre doação. Estadual quer dizer que a alíquota e as regras variam de estado para estado, dentro de um teto nacional, e que podem mudar por lei estadual, inclusive antes de você precisar. Não existe alíquota "do Brasil": existe a do seu estado, na data do fato. Ele se paga em dinheiro, e normalmente antes de o bem ser liberado. É por isso que planejamento sucessório é, na prática, tanto uma questão de estrutura quanto de caixa. Confirme sempre a regra vigente com seu advogado e seu contador, inclusive a minha frase aqui.
O que a holding familiar resolve
Holding familiar é uma empresa criada para ser dona dos bens da família: imóveis, participações em outras empresas, às vezes investimentos. Em vez de vinte bens em nome de uma pessoa, você passa a ter um bem: as quotas da holding. A partir daí, dois ganhos reais aparecem. Primeiro, governança: o contrato social e um acordo entre sócios definem quem decide, quem pode vender, o que acontece se um herdeiro quiser sair, como se resolve empate. Segundo, transmissão em vida: o patrimônio pode ser doado em quotas, muitas vezes com o pai e a mãe mantendo o usufruto, ou seja, seguem mandando e recebendo os frutos enquanto viverem. O que se ganha é previsibilidade: as regras foram escritas por quem estava vivo, lúcido e presente.
O que a holding NÃO resolve (e isso ninguém te conta no almoço)
Holding não é passe de mágica tributária. Doar quotas em vida normalmente também é fato gerador de ITCMD: em muitos casos você antecipa o imposto, não o elimina. Integralizar imóveis na empresa envolve avaliação, ITBI em determinadas situações e efeito no ganho de capital quando o bem for vendido depois; cada caso tem um desenho e um custo. Holding também não protege contra dívida que você já tem: estrutura montada para blindar credor conhecido tende a ser desfeita na Justiça. E holding não conserta família. Se os irmãos não se falam, a holding só transfere a briga da vara de sucessões para a reunião de sócios. Estrutura organiza gente que quer se organizar.